Vídeo de militares correndo na praia é antigo e não tem relação com isolamento social

Um vídeo de 2018 que mostra dezenas de militares correndo na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, e gritando o nome de Jair Bolsonaro tem sido compartilhado como se fosse recente por publicações que sugerem que o pelotão desafiava a medida de isolamento social decretada pelo governador Wilson Witzel (PSC) para deter o novo coronavírus (veja aqui). A corrida, no entanto, ocorreu na época da campanha eleitoral e foi organizada em homenagem a um sargento do Exército que havia sido morto em fevereiro daquele ano.

A gravação com o falso contexto também foi publicada pelo ex-deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) nesta segunda-feira (20) no Twitter. No post, posteriormente apagado, Jefferson disse que, além de desafiar o governador, os militares não admitiriam um possível impeachment do presidente. Apenas a publicação do ex-deputado somava ao menos 2.000 retweets pouco antes de ser deletada.

No Facebook, o vídeo descontextualizado tem sido difundido em páginas e perfis pessoais e acumulava mais de 3.000 compartilhamentos também até a noite desta segunda. Todas as postagens foram marcadas com o selo FALSO na ferramenta de monitoramento da rede social (saiba como funciona).


FALSO

Militares da reserva formam pelotões e correm em praia onde Witzel falou que iria prender quem fosse lá… Apareceu ninguém pra prender, engraçado, né?

Publicações que circulam nas redes sociais enganam ao compartilhar como se fosse recente um vídeo de 2018 que mostra militares correndo pela orla de Copacabana, no Rio de Janeiro, e gritando “Bolsonaro” e “Mito”. Segundo as postagens, o pelotão desafiava a medida de isolamento social determinada pelo governador Wilson Witzel e não foi detido em nenhum momento. O Aos Fatos verificou, no entanto, que a gravação foi feita no dia 23 de setembro de 2018, quando Bolsonaro e Witzel ainda estavam em campanha eleitoral.

Outra versão da peça de desinformação foi compartilhada no Twitter por Roberto Jefferson, ex-deputado e presidente nacional do PTB, e posteriormente apagada. Segundo ele, os militares desafiavam a ordem de prisão defendida por Witzel para quem descumprir a medida de isolamento social. De acordo com o ex-deputado, "essa turma" não vai admitir um impeachment do presidente Jair Bolsonaro. A conta do político não é autenticada na rede social, mas é a mesma que consta no perfil presente no site oficial do partido.

A corrida foi organizada para homenagear o sargento do Exército Bruno Albuquerque Cazuca, que foi assassinado em fevereiro de 2018 por bandidos durante um arrastão em Campo Grande, zona oeste do Rio de Janeiro. Chamada de "Corridão do Cazuca", ela reuniu militares da reserva das Forças Especiais do Exército, do Batalhão de Paraquedistas e do corpo de Fuzileiros Navais da Marinha. Os participantes gritavam em coro “Cazuca”, mas em determinado momento começaram a bater palmas e a dizer “Bolsonaro” e “Mito”.

Na época, o vídeo foi publicado em uma matéria da Revista Fórum sobre a corrida e também postado em perfis pessoais no YouTube.

As publicações no Facebook que tiram a gravação de contexto fazem referência a uma afirmação feita por Witzel no dia 30 de março, quando ele disse que quem descumprisse o isolamento social poderia ser detido e responsabilizado criminalmente. O isolamento social foi determinado no Rio de Janeiro no dia 17 de março para conter o avanço da Covid-19 e já foi prorrogado até o dia 30 de abril. Assim, escolas, universidades, estabelecimentos comerciais e de lazer permanecem fechados. Também estão proibidos eventos que causam aglomerações.

Outro lado. O Aos Fatos entrou em contato com o diretório do PTB no Rio de Janeiro e em Brasília para que Roberto Jefferson pudesse se manifestar sobre esta checagem, mas não obteve respostas até a sua publicação.

Manifestações. No último fim de semana, ocorreram carreatas em diversas cidades do país contra as medidas de isolamento social determinadas por governadores e prefeitos e em apoio a Jair Bolsonaro, que tem reiteradamente se manifestado contra o distanciamento. No Rio de Janeiro, por exemplo, uma carreata percorreu a zona sul da capital no sábado (18). Houve protestos semelhantes no Distrito Federal, em Porto Alegre, Salvador, Manaus e São Paulo. Em Brasília, Jair Bolsonaro foi até o local da manifestação e discursou para seus apoiadores.

Referências:

1. PTB
2. Yahoo Notícias
3. Extra
4. Revista Fórum
5. UOL
6. Legisweb
7. O Globo
8. Estadão
9. G1

Fonte: Aos Fatos